Colaboração com especialidades hospitalares e academia em foco

A gestão do doente crónico e as estratégias de proteção do homem face ao HPV são dois assuntos a debater em Braga, em colaboração com representantes de outras sociedades científicas, num claro sinal de abertura da parte da Medicina Geral e Familiar ao restante universo médico. Mas haverá espaço para muito outros campos de discussão clínica, como o diagnóstico diferencial das lesões pigmentadas ou o apuramento da carga de doença aterosclerórica na população portuguesa. 

Sem dúvida que a gestão (de preferência integrada) do doente crónico é uma das preocupações de fundo de todos os médicos de família portugueses. Por isso, não é de espantar que ocupe lugar proeminente no programa do Encontro Nacional deste ano, através de uma sessão moderada por João Ramires (médico de família na Unidade de Cuidados de Saúde Personalizados de Cascais e membro da Equipa Regional de Apoio da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo – ARSLVT). Os palestrantes serão Maria do Céu Rocha e Jorge Martins, internistas e membros da   Equipa de Suporte a Doentes Crónicos Complexos da Unidade Local de Saúde de Matosinhos, que abordarão não só o programa «Managed Care» que têm vindo a desenvolver, como os resultados obtidos com o trabalho da equipa. As intervenções serão, depois, comentadas por João Araújo Correia (presidente da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna – SPMI), Rui Nogueira (presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar – APMGF) e David Rodrigues (médico de família no CUF Hospital Torres Vedras e docente da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa).

Os doentes crónicos vivem mais tempo com a(s) sua(s) doenças, sendo cada vez mais frequente a abordagem de doentes com multimorbilidade. O doente crónico tem graus crescentes de complexidade, exigindo novas abordagens nomeadamente de uma equipa multiprofissional. Por isso, a resposta ao mesmo deve passar por um modelo integrado como é o da equipa de suporte de doente crónico complexo, a ser ilustrado nesta sessão por intermédio de uma experiência concreta. 

“A SPMI e a APMGF, que corporizam especialidades fundamentais na gestão do doente crónico, estão empenhadas na promoção de respostas adequadas. As duas sociedades científicas entendem que são estas equipas de suporte que melhor respondem a estes doentes”, explica Nelson Rodrigues, vice-presidente da APMGF e um dos promotores da sessão em causa.

 

Como lidar com o HPV no homem?

“A infeção pelo Vírus do Papiloma Humano (HPV) é muito frequente, estimando-se que 50% da população sexualmente ativa é infetada pelo menos uma vez ao longo da vida. A prevenção da infeção por HPV, o seu diagnóstico precoce e tratamento têm estado na ordem do dia na prática do médico de família. Contudo, a sua aplicação no sexo masculino continua a deparar-se com alguns obstáculos e, por isso, o desenvolvimento de novas estratégias especificamente dedicadas a esta doença no homem são necessárias”, advoga Marta Lopes, membro da direção da APMGF. 

Assim, a Associação decidiu dedicar uma das mesas clínicas da reunião de Braga à temática, contando para tal com a experiência de dois conceituados urologistas, ligados à Sociedade Portuguesa de Andrologia, Medicina Sexual e Reprodução (SPA). Pedro Eufrásio, vogal do conselho diretivo da SPA e responsável dos consensos sobre o HPV, fará uma comunicação alargada. De seguida, o presidente do conselho diretivo da SPA, Pedro Vendeira, comentará os pontos mais importantes da mesma e estará disponível para conversar com os colegas da MGF e esclarecer quaisquer dúvidas.

Também as doenças de pele serão objeto de aprofundamento no 37º Encontro Nacional, por via de uma sessão durante a qual partilharão o púlpito a dermatologista do Hospital Distrital da Figueira da Foz Rosa Mascarenhas e o médico de família da Unidade de Saúde Familiar Amanhecer (ACeS Gondomar) Luís Pinho Costa.

“A mesa pretende abordar o diagnóstico diferencial das diferentes lesões pigmentadas. De uma forma prática, com uma curta introdução teórica seguida da discussão de vários casos clínicos, pretende-se atualizar o conhecimento dos participantes nesta vasta área da Dermatologia, fornecendo ferramentas que possam ajudar o diagnóstico e a prática clínica no dia-a-dia do médico de família”, indica Nina Monteiro, membro da direção da APMGF e moderadora da sessão.

Outra cooperação que resultará em momentos chave do Encontro Nacional é a que se estabeleceu entre a APMGF e o Centro de Estudos de Medicina Baseada na Evidência (CEMBE). Se, por um lado, ganhará corpo na já habitual sessão onde serão apresentadas as 10 evidências clínicas do ano transato, com a presença do diretor do CEMBE, António Vaz Carneiro, dará também origem a uma muito aguarda mesa centrada nos custos e carga de doença aterosclerótica, com moderação de Rui Nogueira (presidente da APMGF) e comunicação a proferir por Margarida Borges, diretora adjunta do CEMBE e diretora do Serviço de Farmacologia Clínica do Centro Hospitalar de Lisboa Central. 

Os comentários terão a assinatura do já mencionado Vaz Carneiro e de Luís Pisco, presidente do conselho diretivo da ARSLVT.

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